Também conhecida como osteíte púbica, é uma condição dolorosa da sínfise púbica, de causa inflamatória, traumática ou infecciosa.
Wallace Stefanini *
A pubalgia (ou osteíte púbica) é uma condição dolorosa da sínfise púbica, na maioria das vezes auto-limitada, de causa inflamatória, traumática ou infecciosa. Está é causada por gestos repetitivos relacionada a esforços anormais na sínfise. É comum em atletas e principalmente em jogadores de futebol.
Costuma afetar principalmente homens jovens, de 20 a 30 anos. Acredita-se que a mulher tenha uma melhor mobilidade pélvica, o que a protege naturalmente.
Classifica-se em:
- Aguda (ou traumática)
- Crônica (ou biomecânica)
A aguda advém de queda sentado, salto com queda unipodal ou deslocamento lateral rápido.
As principais causas da crônica são: encurtamento dos músculos posteriores de coxa, sobrecarga dos adutores e fraqueza dos abdominais.
Sintomas:
Os sintomas envolvem dor na sínfise púbica relacionada à atividade física, dor difusa irradiada para o abdome, região inguinal, supra-pubica e adutores.
Talvez por sua sintomatologia não ser tão óbvia, com sintomas pubianos e peripubianos, envolvem uma certa confusão diagnóstica, levando a erros que frequentemente acabam em um tratamento inadequado e cronificação da patologia.
Fatores Fisiológicos e Patológicos:
A sínfise púbica é um verdadeiro ponto de convergência. Ocorre o encontro de músculos da coxa (isquiotibiais, flexores e adutores); abdominais e da coluna vertebral.
O grande número de trações em direções e intensidades diferentes pode alterar seu aspecto normal, provocando alterações nos tendões dos músculos que agem sobre a articulação e modificações degenerativas ocorrem na própria articulação. Desta maneira, uma lesão sacro-ilíaca interfere no funcionamento da sínfise púbica.
Ocasionada por trauma ou outro fator, essa disfunção leva a alterações posicionais de um ilíaco em relação a outro (ilíaco em posterioridade ou anterioridade). A torção gerada causa estresse na sínfise púbica, levando a disfunções em superioridade ou inferioridade.
Uma lesão sacro-ilíaca crônica exerce importante influência nos tecidos moles. Os músculos posturais (piriforme, isquiotibiais, tensor da fáscia lata, adutores de coxa e iliopsoas), ficam rígidos e contraturados; outros atrofiam e enfraquecem (abdominais, glúteos e vastos).
Os movimentos normalmente colocados a sínfise púbica na marcha, aumentam durante a pratica de alguns gestos desportivos, sendo o chute o movimento de maior estresse.
Entende-se que uma das causas da pubalgia advém de uma solicitação excessiva dos adutores e fraqueza da musculatura abdominal. Acredita-se que a pratica desportiva ou o gesto esportivo repetitivo leve ao encurtamento de alguns grupos musculares que agem sobre a pelve e o púbis.
Devemos fazer uma avaliação funcional criteriosa nos atletas antes e durante a pré-temporada e no decorrer da competição para sabermos como os atletas estão em relação aos ilíacos, o sacro (articulação sacro-iliaca), os músculos abdominais, adutores, isquiotibiais e iliopsoas.
O trabalho preventivo realizado pela fisioterapia no futebol deverá montar grupos de acordo com a avaliação de cada atleta onde para cada grupo será realizado um trabalho específico.
1) No grupo 1 deverá realizar alongamentos globais com ênfase em isquiotibiais
2) No grupo 2 deverá realizar alongamentos globais e fortalecimento de abdominais transverso, reto abdominal e oblíquos.
3) No grupo 3 deverá realizar alongamentos globais com ênfase em isquiotibiais e adutores, fortalecimento de reto abdominal, transverso e oblíquos e exercícios de estabilização do CORE (cintura lombo-pélvica).
Sendo que todos devem ser reavaliados no decorrer da competição devido ao desgaste muscular que poderá ocorrer do meio para o final de um campeonato.
* Wallace Stefanini é Fisioterapeuta do Rio Preto Esporte Clube