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Publicado: 03/07/2010 às 23:22, autor Professor Mesquita
      

Serviço Social e futebol: atuando na construção de um atleta cidadão

O papel do Serviço Social na formação do adolescente atleta
Daniele Paiva Trindade

Neste texto, buscar-se-á trazer o papel do profissional de Serviço Social nos dias atuais na área futebolística, bem como as demandas e as práticas do Serviço Social nas instituições desportivas no momento em que o atleta ingressa na instituição até se tornar um jogador profissional ou não. A Lei que regulamenta a profissão é a 8662/93, que dispõe sobre a profissão de Assistente Social e da outras providencias.

O assistente social trabalha, de forma crítica e investigativa, atendendo aos interesses imediatos ou a necessidade que demandam a elaboração de estratégias para a transformação da realidade de exclusão e opressão a que os usuários estão submetidos. O assistente social na formação do atleta tem um papel de fundamental importância uma vez que, através do contato diário com os usuários na prática profissional, é possível que construa um conhecimento acerca da realidade com respeito aos sujeitos e a seus interesses, englobando e tendo visão geral, abrangente, sobre aspectos econômicos, afetivos, sociais entre outros.

O Serviço Social nas instituições de futebol geralmente está inserido no departamento das categorias de base, que são os responsáveis pelo processo de formação do atleta. Nessas instituições podemos visualizar como objeto do Serviço Social o desejo que esses atletas possuem pela ascensão financeira, a busca pelo status e o tão almejado sucesso profissional. Assim, podemos perceber como a grande demanda para o Serviço Social nas instituições: os atletas oriundos de outras cidades e regiões do país que trazem na bagagem as mais variadas histórias de vidas.

O Serviço Social possui como objetivo acompanhar os atletas na formação pessoal, escolar, intelectual e profissional, orientando-os para desenvolverem sua autonomia, participação, exercício de cidadania e acesso aos direitos sociais e humanos.

Nos clubes de futebol, as demandas nem sempre estão expostas para o profissional do Serviço Social, que muitas vezes vai em busca delas, uma vez que no processo de trabalho os adolescentes atletas são vistos como um todo e que trazem consigo uma grande vivência, que no seu processo de formação é sempre levada em consideração.

Quando falamos em formação do atleta, esta engloba vários aspectos. Para Desaulniers (1997):


“Os termos formação, formar, formado(a) derivam-se do termo forma que, em latim, significa molde ou meio pelo qual se dá uma certa matéria a forma que se deseja. Formação é a ação pela qual algo se forma, é produzido; é a ação de formar, de organizar, de instruir, de educar e seu resultado. E formado é aquele que recebeu uma certa forma; que foi habituado conforme tal forma ou tal feito. (MIALARET apud DESAULNIERS, 1997, p191).
 

Dentro dessa ótica apresentada por Desaulniers (1997), os profissionais têm grandes responsabilidades na formação de um atleta de futebol, pois são eles que exercem o papel de orientar os sujeitos e contribuir para que tenham consciência da sua realidade e do seu papel na sociedade, dos seus direitos e deveres enquanto cidadãos. O assistente social trabalha com a autonomia dos sujeitos e no futebol esse trabalho tem a finalidade de criar responsabilidades nas quais os próprios sujeitos percebem o compromisso que devem ter em suas vidas em relação não somente ao futebol, mas o compromisso com outras atividades que regem a vida em sociedade, como a escola, amigos, família e a profissão, entre outras.

O profissional envolvido em um clube de futebol precisa ter consciência muito clara do seu papel enquanto desafiador do crescimento dos sujeitos ali inseridos. Muitos são os desafios deste profissional, pois cabe a ele a proposição do convívio com as regras, a promoção da informação, a busca da superação da alienação, o estabelecimento do diálogo, o aproveitamento de eventos diversos relacionados à cultura e tantos outros.

Muitos dos atletas que ingressam nos clubes de futebol são crianças, pré-adolescentes e adolescentes que vêm de outras regiões, cidades e até outros países. O Serviço Social faz o acolhimento do atleta com atendimento individual e familiar para, assim, coletar o máximo de informações do atleta e de sua família e fazer o levantamento do perfil socioeconômico e iniciar a criação do vínculo , no momento em que esses atletas chegam ao clube, por diversas vezes encontram-se fragilizados, com saudade da família e muito abatidos devido à distância de casa. Desta forma, as demandas vão sendo trazidas pelos atletas conforme a necessidades que os mesmos encontram no dia-a-dia no clube, na cidade, adaptação ao ambiente, infraestrutura, adaptação à escola, novas culturas, regras, novos amigos, sexualidade, entre outras. Cabe, então, ao Serviço Social o fortalecimento do vínculo com o atleta e a aproximação com as famílias destes, considerando que a família é o primeiro grupo natural no qual o indivíduo está inserido. Entende-se família como o ponto de referência, pois é lá que se aprende a moral, criam-se os seus valores e crenças e, com isso, passa a ser construída a sua identidade.

Neste sentido, percebe-se a aproximação com as famílias dos atletas como algo de suma importância na prática de trabalho do Serviço Social, criando-se então um “elo” entre os três para fortalecer atleta, família e profissionais. Esse elo visa à importância do trabalho em conjunto para a formação do atleta, enquanto pessoa, no sentido de aperfeiçoar sua consciência crítica para que isso se reverta em elementos emancipatórios e de cidadania e para que ele se torne protagonista de sua história com equilíbrio na vida pessoal e profissional, independentemente de se tornar ou não no futuro um jogador profissional.

Uma das principais atividades do profissional de Serviço Social é o acompanhamento e assessoramento dos atletas na escola, uma vez que na entrada do atleta no clube são as profissionais enquanto instituição que ficam responsáveis por eles na escola. Assim, participando de reuniões escolares, acompanhando o desempenho das notas, frequência e participação dentro da escola. Como podemos observar, no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), art.53, diz:
 

A criança e o adolescente têm o direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se lhes:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – direito de ser respeito por seus educadores;
III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;
IV – direito de organização e participação em entidades estudantis;
V – acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência.

Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais.
 

Conforme podemos ver no ECA que a criança e o adolescente têm direito à educação, percebemos que é dever do assistente social enquanto profissional garantir o acesso e a permanência destes na escola. Essa vem a ser a principal função e o principal objetivo do Serviço Social nos clubes de futebol. Quando o atleta ingressa no clube, são as profissionais que ficam responsáveis pelo recolhimento de toda documentação escolar e efetivação de matrícula dos atletas e de todo o acompanhamento e desenvolvimento deles na escola, visto que a educação escolar faz parte da formação do atleta.

Os atletas têm uma visão reducionista, visam somente o momento que estão vivendo e não costumam pensar no pós-carreira. É importante salientar que, segundo a Federação Gaúcha de Futebol (FGF), para o atleta menor de 18 anos poder participar de jogos por qualquer instituição desportiva de forma legal, ele deve estar matriculado em escola de ensino fundamental ou médio. O documento que comprova sua matrícula escolar é o principal para registro junto à federação. Sem o referido documento, o atleta menor de idade não pode competir oficialmente em nenhum clube.

É de responsabilidade do assistente social intervir e mostrar que seu papel não é somente fazer cobranças, mas sim orientá-los e mostrar por que a escola é parte fundamental para seu crescimento e desenvolvimento de sua formação. Também cabe salientar a importância de incentivar os jovens ao convívio social para que ampliem os seus horizontes, o círculo social de amizades, não somente vivam o mundo do futebol, mas incentivar a curiosidade, a ampliação da utilização dos espaços culturais e de lazer dos lugares em que estão inseridos.

O mundo que esses jovens atletas de futebol vivem é por diversas vezes deslumbrante, pois muitos vêm de origem humilde e de uma hora para outra podem desfrutar do bom e do melhor em todos os sentidos, podem escolher a roupa, a marca do tênis e da chuteira, o restaurante que poderão frequentar. Isso tudo é um choque de realidade e alguns não conseguem se manter tão profissionais com a facilidade que o mundo esportivo pode dar a eles. Neste sentido, o trabalho do assistente social entra em cena, pois cabe a ele trazer o sujeito de volta à sua realidade, fazendo com que perceba as coisas que realmente são importantes para a sua vida e para o seu futuro. Segundo Faleiros (2002):
 

“O objeto da intervenção do Serviço Social se constrói na relação sujeito/estrutura e na relação usuário/instituição, em que emerge o processo de fortalecimento do usuário diante da fragilização de seus vínculos, capitais ou patrimônios individuais e coletivos”. (FALEIROS, 2002, p. 44).
 

Os clubes de futebol abrem espaço para o trabalho do Serviço Social e este espaço está cheio de desafios que surgem diariamente. O dever do profissional desenvolver a transformação na sua prática, visto que a área futebolística é nova para os assistentes sociais, enfim, este espaço é mais uma conquista dos profissionais que estão habilitados para atuar em grandes e novas áreas e nos clube de futebol que estão formando pessoas e não somente atletas. O profissional se torna peça fundamental na construção e reconstrução de possibilidades para o futuro desses cidadãos.

Bibliografia

ALMEIDA NETO, Honor de. Trabalho Infantil: formação da criança jornaleira de Porto Alegre. Canoas: Ed. Ulbra, 2004.

BRASIL, Ministério da Saúde. Leis etc. Estatuto da Criança e do Adolescente. 3. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.

CARRAVETTA, Elio. As relações econômicas do esporte moderno com as mudanças sociais e culturais. Revista Movimento. Ano III. Publicação da Escola de Educação Física da UFRGS. 1996.

CELATS, 2001.

COVRE, Maria de Lurdes M. O que é cidadania? São Paulo: Brasiliense, 1993.

DESAULNIERS, Julieta B.R. Formação ou qualificação, ou competência. Veritas, v. 38, n. 149, mar. 1993a. Porto Alegre: EdiPUCRS

FALEIROS, Vicente de Paula. Estratégias em Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2002.

FALEIROS, Vicente de Paula. Saber profissional e poder institucional. 6. ed. – São Paulo: Cortez, 2001.

KALOUSTION, Sílvio Manoug. Família brasileira, a base de tudo. 5ª ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: UNICEF, 1998.




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