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Publicado: 06/07/2010 às 7:31, autor Professor Mesquita
      

Testados e aprovados

A eliminação do Brasil na Copa do Mundo e a ascensão da jovem Alemanha, despontando como a grande favorita ao título pelos significativos resultados diante de Inglaterra e Argentina, não estão tão distantes assim. Afinal, uma fórmula que se iniciou em 2006 e não só fez sucesso como trouxe incentivo para que fosse estendida a 2010 é justamente algo que esteve em falta no time de Dunga, embora fosse bastante pedida não somente pela imprensa que ele tanto criticou, mas pela própria torcida: a convocação de jovens para o grupo que disputaria o Mundial, para que estes ganhassem experiência de clima, identificação e até mesmo de jogo em uma Copa.

O caso alemão é substancial. Desde 2002, as seleções do país que vão a um Mundial tem investido na chamada de garotos com mais qualidade, para adquirir cancha. Por intermédio disso, surgiram na equipe de 2006 os promissores Bastian Schweinsteiger, Phillip Lahm, Per Mertesacker e Lukas Podolski. Todos sem nem bem 23 anos completados. E o principal: foram titulares e peças importantes da equipe, que alcançou uma inesperada semifinal, contra todos os prognósticos. E não foram só a passeio, até porque desde que chegou ao comando da equipe, Klinsmann já os observava. Participação essa que se mostrou essencial para a campanha e para o desenvolvimento desses atletas.

A experiência de Copa do Mundo deu maturidade aos então garotos alemães, e a campanha de sucesso, especialmente pela enorme pressão que estava às costas do antigo camisa 18 da seleção, valorizou os meninos, que não deixaram de ser convocados daí em diante. Mesmo Podolski, que viveu péssima fase no Bayern de Munique, não era esquecido no Nationalef, onde conseguia ter boas atuações. E com a saída natural de peças como Torsten Frings e Oliver Kahn, por exemplo, e a chegada gradual de jovens valores que iam se destacando em campeonatos europeus de base, os meninos de 2006, em especial Schweinsteiger e Lahm, que viraram os líderes.

Ao longo desses quatro anos, por exemplo, esses jogadores adotaram papeis cada vez mais importantes na equipe, que passaria a ser comandada por Joachim Low. Lahm, que jogou a Copa de 2006 como lateral esquerdo, voltou à direita, posição de origem. Schweinsteiger, por sua vez, de meia esquerda, foi recuado para atuar como um volante "moderno", daqueles que saem para armar o jogo. De bom arremate, força física e visão de jogo, tem exercido papel fundamental no sucesso da seleção na África do Sul, com a ajuda de um dos jovens da vez, Mezut Özil, pelo meio-de-campo. Não à toa, Michael Ballack, de quem se esperava ser o craque do time, não faz a menor falta.

Já Podolski, que já havia se destacado há quatro anos superando Lionel Messi e Cristiano Ronaldo como melhor atleta jovem da Copa de 2006, cresceu pela seleção quando começou a ser passado de atacante para a meia-esquerda, anteriormente ocupada por Schweinsteiger mas com uma função mais ofensiva, auxiliando Klose à frente. Uma mudança que foi sendo adaptada por Low desde sua chegada, inicialmente para que o atual centroavante jogasse com Mario Gomez no ataque. E se não vinha rendendo no Bayern de Munique e mesmo no Colônia, pela equipe nacional Podolski manteve-se firme e adquiriu cada vez mais experiência, já somando 78 jogos pelos alemães.

A responsabilidade que recairia sobre os ombros do trio se acentuou com o corte de Ballack, que com 33 anos, seria o natural comandante da equipe. No entanto, com a experiência de uma Copa do Mundo nas costas, os três não se intimidaram. Lahm é um dos grandes laterais do atual Mundial, e Schweinsteiger, se não é o grande nome da Copa, está certamente na seleção do torneio. Podolski, por sua vez, não tem aparecido tanto com os outros dois, mas se firmou na nova posição que defende na Nationalelf. Se em alguns momentos de 2006, ambos até chegaram a desejar, para 2010, mostraram a maturidade que foi adquirida com o "choque" anterior, há quatro anos, na Alemanha.

O fato de o Mundial ocorrer de quatro em quatro anos significa que dificilmente a geração de uma edição se repetirá na outra, especialmente quando a média de idade beira os 29 anos, como era o caso do Brasil, e como foi a da Alemanha em 1998. Até por isso, a ideia de sempre levar nomes jovens de qualidade, mesmo que sem tanta experiência internacional, mostra-se válida, principalmente quando se possuem garotos de alto nível. Percebeu-se isso em terras germânicas, e os frutos, que começaram a ser plantados em 2002 e progrediram em 2006, não só estão se tornando maduros como dando vazão a novas plantações. Özil e Müller que o digam.
 
O exemplo alemão contrasta com o caso brasileiro. Mesmo diante da grande pressão popular, Dunga optou em deixar de lado os santistas Neymar e Paulo Henrique Ganso. Não que o técnico precisasse levar sete ou oito garotos, mas ao se observar o elenco que deixou a Copa da África do Sul, nota-se meninos como os santistas (talvez mais Ganso do que Neymar) e Alexandre Pato - em que pesem suas atuações irregulares pela seleção - não podiam ficar de fora. Não somente por seus potenciais, mas porque serão os artífices da geração 2014, representada, em tese, somente por Ramires, que já é um /85. A grande campanha alemã, seja ela recompensada com o tetra ou não, já é um exemplo




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