Seleção portuguesa, Sporting, Real Madrid e Manchester United. Não são muitos os treinadores que podem expor um currículo desse porte e ainda assim ter algo a provar. Carlos Queiroz tinha os dois. Depois de uma passagem estupenda dirigindo as seleções de base portuguesas, Queiroz assumiu a seleção principal visando à conquista de uma vaga e a realização de uma grande campanha na Copa do Mundo de 1994. Falhou
Mas, a vida tem dessas coisas. Queiroz literalmente rodou pelo mundo. Passou por Estados Unidos, Japão, Emirados Árabes, África do Sul, Espanha e Inglaterra para em 2008 voltar justamente ao ponto de partida: a seleção portuguesa. Após passar por poucas e boas na tentativa de montar uma nova equipe que herdasse o espírito vitorioso imposto por Felipão e ainda lidasse com o início de uma renovação, Queiroz enfim cumpriu seu destino. Classificou Portugal para a Copa de 2010 e fez uma boa campanha até a eliminação nas oitavas de final, diante da Espanha. Ainda assim, parece que sua história com os Tugas não acabou.
O começo da história
Nascido em Moçambique no ano de 1953, Carlos Queiroz chegou a jogar futebol como goleiro nos juniores do Clube Ferroviário de Nampula, mas não seguiu no esporte. Depois de terminar o nível colegial, cursou Engenharia Mecânica nos anos de 73 e 74, interrompendo a graduação em 75, quando veio para Portugal e se instalou nas proximidades da capital Lisboa. Lá passou a cursar o Instituto Superior de Educação Física, onde se formou, fez mestrado e lecionou.
Tendo estudado tudo o que podia sobre o tema, faltava a Queiroz uma chance de colocar em prática o que havia aprendido. Ela veio em 1984, quando Carlos foi auxiliar técnico de Mário Wilson no Estoril Prata. Três anos depois, um convite da Federação Portuguesa de Futebol mudou totalmente as perspectivas de sua carreira. De auxiliar de time pequeno, Queiroz passou a comandante das equipes sub-17 e sub-20 de Portugal, sendo encarregado de formar os novos talentos da nação.
Logo no ano seguinte o trabalho de Queiroz já começou a ser notado. Com um time consistente, Portugal surpreendeu nos juvenis e nos juniores, ficando com os vice-campeonatos do Europeu Sub-16 e Sub-19 de 1988. Era apenas o começo. Em fevereiro de 1989, Carlos Queiroz fez sua estreia em Mundiais comandando um elenco de futuros grandes jogadores portugueses, como João Pinto, Paulo Sousa e Fernando Couto. Não poderia ser melhor: título sobre a Nigéria e com direito a vitória sobre o Brasil, de Bismarck, Carlos Germano e companhia, na semifinal.
À glória dos juniores se seguiu a conquista do Europeu Sub-16 e, em novembro, a disputa do Mundial Sub-17. Em uma competição cheia de surpresas - que teve Arábia Saudita e Escócia como campeã e vice - os Tugas, liderados por Luís Figo, se classificaram em primeiro no grupo, bateram a Argentina nas quartas e só não foram para a final pois perderam para os donos da casa. Na decisão de terceiro lugar, bateram o Bahrein e ficaram com o "bronze".
O descobridor da Geração de Ouro
Os ótimos resultados caíram diretamente na conta de Queiroz, que soube dar conjunto e tirar o melhor de seus atletas mesmo dividindo esforços entre as duas categorias. Graças a esse trabalho em duas frentes, em 1990 o treinador pegou o já conhecido grupo de nascidos em 72 e 73 e começou a preparação para o Mundial Sub-20 de 1991. No Europeu Sub-19 daquele ano, os Tugas ficaram mais uma vez com o vice-campeonato, resultado que serviu apenas para cumprir tabela, uma vez que, por serem sede da disputa, os portugueses já estavam garantidos. No Sub-16, no entanto, Portugal não logrou o êxito de 88 e acabou ficando com apenas a quarta posição, portanto, fora da competição juvenil da Fifa.
O primeiro fracasso de Queiroz não abalou a confiança da Federação de que ele era a pessoa certa para conduzir os jovens portugueses. Em junho de 1991 Carlos Queiroz montou um timaço para a disputa do Mundial Sub-20. Com João Pinto, Capucho, Abel Xavier, Rui Costa e Figo, Portugal nadou de braçada no torneio. Na primeira fase bateu Irlanda, Argentina e Coreia do Sul. Nas quartas e semis derrotou Austrália e o México. Na final, o adversário mais esperado: o Brasil, de Élber, Roberto Carlos e Djair. Jogo ferrenho e disputado por todo o tempo. Resultado: 0 a 0 no tempo normal e prorrogação e 4 a 2 para Portugal nos pênaltis. Carlos Queiroz havia conseguido mais uma vez.
Aclamado pela crítica e torcedores e conhecedor da melhor geração que Portugal havia visto desde Eusébio e companhia em 1966, Carlos assumiu o comando da seleção principal portuguesa ainda em 91. O objetivo era claro; colocar os Tugas novamente em uma Copa do Mundo e fazer bonito no Mundial dos Estados Unidos. Não foi o que aconteceu. Em um grupo com a concorrência de Itália e Suíça, os jovens de Queiroz não conseguiram a classificação e amargaram o terceiro lugar.
O viajante e o reencontro
Derrotado e desapontado, Carlos deixou a equipe nacional e começou a inédita experiência de trabalhar no comando de clubes. Ainda em 1994 ele assumiu o Sporting Lisboa, mas não obteve grandes resultados e deixou a equipe logo no ano seguinte. A partir de então, passou a rodar o mundo com sua fama de descobridor de talentos. Após comandar o Metrostars, dos Estados Unidos, Nagoya Grampus, do Japão, seleção dos Emirados Árabes e da África do Sul, Queiroz foi parar no Manchester United, sendo contratado como auxiliar de Alex Ferguson em 2002.
Em 2003 o português assumiu o Real Madrid em uma das épocas mais conturbadas do clube merengue. Não conseguiu impor seu trabalho e acabou voltando a auxiliar de Ferguson, posição que ocupou até 2008. Foi quando a seleção portuguesa reencontrou seu caminho. Contratado para substituir Felipão, Queiroz teve um recomeço de trabalho conturbado, mas deu a volta por cima e fez uma satisfatória Copa do Mundo. Seu futuro ainda é incerto, mas com a renovação que se espera para a seleção portuguesa, é o nome dele que desponta. Afinal, nenhum outro treinador foi tão bem com jovens portugueses. Ele, o descobridor da Geração de Ouro... Carlos Queiroz.
Ficha técnica
Nome completo: Carlos Manuel Brito Leal Queiroz
Data de Nascimento: 01/03/1953
Local de nascimento: Nampula, Moçambique
Clubes e seleções que dirigiu: Portugal, Sporting Lisboa, MetroStars (EUA), Nagoya Grampus (JAP), Emirados Árabes, África do Sul e Real Madrid
Principais títulos: Mundial Sub-20 de 1989 e 1991, Europeu Sub-16 e Mundial Sub-17 de 1989