Três dos quatro zagueiros brasileiros que estiveram na última Copa do Mundo devem deixar os planos para 2014, o que faz da defesa o setor onde se projeta uma renovação ainda mais profunda. Entre os jovens, além de David Luiz e Mário Fernandes, o nome que surge com força é o de Rafael Tolói. Titular absoluto do Goiás há duas temporadas, ele desponta em várias listas de promessas que podem pintar em breve na seleção.
Especulado em clubes europeus como Palermo e Milan, Tolói tem apenas 19 anos mas joga como veterano. Cabeça em pé, jogo vigoroso e inteligência no posicionamento são alguns de seus principais requisitos, além de uma força impressionante nas bolas aéreas. O excesso de cartões vermelhos, seu grande calcanhar de Aquiles em 2009, ele mesmo admite já ter corrigido.
Pesa também a favor de Rafael Tolói o histórico brilhante pela seleção brasileira sub-20. Jogador mais jovem entre os 21 convocados por Rogério Lourenço para o Mundial da categoria, o zagueirão /90 deixou ótima impressão nos gramados egípcios. Segundo ele, o fato de as pessoas da CBF já conhecerem seu trabalho pode facilitar no futuro.
Olheiros - Você é um dos nomes citados para a nova fase da seleção brasileira visando 2014. Como tem recebido esses comentários?
Rafael Tolói - Fico feliz em ser lembrado. Sou um jogador jovem e, apesar de estar em um clube que não é tão visto quanto os paulistas e cariocas, me ajuda a ser projetado nacionalmente. É importante saber que as pessoas falam da gente, vou continuar trabalhando forte no Goiás. Apesar das especulações de que vou sair, tenho que continuar trabalhando do mesmo jeito.
Olheiros - Realmente tem se falado muito que você pode sair do Goiás. O que há de concreto?
Tolói - Como digo sempre pra todos: tem muitas especulações, mas já falei com algumas pessoas e meu empresário passou que só tem alguns clubes interessados, mas não uma proposta concreta.
Olheiros - Se não sair, tudo bem para você?
Tolói - Estou feliz aqui. O Goiás tem uma estrutura grande, é conhecido nacionalmente. Mas todo jogador sonha em atuar na Europa, em um grande clube europeu, e vou continuar assim para crescer, ganhar experiência e, quando acontecer, preciso estar bem e aproveitar.
Olheiros - Qual a importância de já ter experiência na seleção de base? Afinal, você foi campeão sul-americano sub-20 e vice mundial.
Tolói - As pessoas da CBF já viram meu trabalho, sabem o que eu fiz e sempre fui titular em todas convocações com o Rogério Lourenço. Vou continuar assim para, quem sabe, ter oportunidade.
Olheiros - Como foi sua relação com o Rogério?
Tolói - Ele tem um caráter muito grande, tenho como um grande amigo. Fui bem com ele e joguei no Mundial Sub-20, só infelizmente perdemos para Gana na decisão.
Olheiros - Qual a diferença entre jogar um Mundial Sub-20 e um Campeonato Brasileiro, na prática?
Tolói - A diferença é que, no Brasil, já joguei contra todos atacantes, muitos deles de qualidade. No Mundial Sub-20 também enfrentei muitos bons adversários, mas é diferente do nosso futebol e acho que também me adaptei bem. Fui bem nas duas competições e, no Goiás, tenho o reconhecimento de todos.
Olheiros - Você tomava muitos cartões vermelhos no ano passado. Deu uma melhorada agora?
Tolói - É verdade mesmo. Tomei muitos cartões bestas no ano passado, mas agora estou bem mais tranquilo e melhor também. Foi o meu primeiro Brasileiro, acho que amadureci bastante desde então. Além disso, encorpei mais, estou com um porte físico melhor.